ERA UMA VEZ...


HISTORINHA EM TEMPOS DE CORONA....

Era uma vez um lugar muito lindo, repleto de paisagens maravilhosas, lugares incríveis para visitar, museus especialmente complexos e interessantes para serem apreciados, e muito mais...
Era uma vez um lugar onde as pessoas podiam sair nas ruas, podiam trabalhar, caminhar à vontade, podiam encontrar-se com seus amigos e compartilharem suas vidas...
Era uma vez um lugar onde as pessoas se encontravam e se beijavam, se abraçavam e se divertiam juntas...
Os casais podiam namorar e ficar juntinhos assistindo um bom filme ou simplesmente andar de mãos dadas nas ruas...
Os idosos podiam se encontrar nas praças para recordarem suas experiências...
Era uma vez um lugar onde as pessoas podiam pegar seus meios de locomoção e viajarem para onde quisessem, apreciando as paisagens maravilhosas das estradas, atravessando oceanos, sentindo a água do mar em sua pele e o calor do sol em seus corpos.
Naquele lugar todos comemoravam suas datas especiais com família, amigos e davam –se as mãos e cantavam alegremente.
Num determinado momento, no dia a dia, as coisas foram mudando....
As pessoas não enxergavam os outros por conta da correria de suas rotinas.
O consumo era imprescindível para acalentar suas ansiedades. Diálogo passou a ser escasso.
A falta de humanidade era decorrente, pois todos estavam mais preocupados com seus propósitos e esqueciam do resto.
Um telefonema, uma palavra doce de carinho, um estímulo, um simples te adoro, um pequeno sorriso, isso não existia mais...
Muitos não percebiam um palmo em sua frente. Muitos eram egoístas e viviam dentro de suas bolhas imaginárias.
Aquele lugar tinha uma magia especial , mas que nem todos percebiam, por que estavam enclausurados dentro de si mesmos.
Um dia, aquela cidade de nome Sonho se transformou.
Ninguém podia sair de casa. Ninguém podia se tocar. Os velhinhos ficaram isolados. Netos longe de seus avós. Muitos desempregados e sem dinheiro.
Mercados com pouca comida. Lojas fechadas, todos os locais maravilhosos que existiam ali, estavam sem acesso, pois ninguém podia caminhar além de 100 metros de suas casas.
Pelas ruas passavam policiais multando pessoas que estavam desobedecendo as ordens impetradas pelos governantes.
Somente os trabalhadores essenciais podiam desempenhar suas funções. Mas cada um que saia nas ruas, tinha que sair de máscaras e luvas, pois havia um inimigo invisível no ar.
Aqueles que adoravam sair às compras, viajar e ficar nas ruas, tinham que viver novos valores e descobrir novas formas de encarar seu dia a dia, pois ninguém podia sair de casa.
Cada comodo de sua casa adquiriu um novo valor.
A lei era o distanciamento físico. Nada de aglomerações, nada de contatos pessoais. Somente por telefone, somente pela internet, que graças a Deus ainda havia...
Os valores foram mudando ao longo dos dias, pois ninguém sabia até quando seria vivido aquele martírio.
Algumas pessoas conseguiram se adaptar àquela nova situação, mas outras entraram em depressão, síndrome do pânico, alta ansiedade...
A convivência diária por 24 horas seguidas, começou a tornar-se complicada em alguns casos.
Afinal dizem que é debaixo de 4 paredes que conhecemos melhor as pessoas. Será?
Passaram a viver um gigante “big brother”, pois quem estava infectado pelo inimigo invisível estava sendo monitorado através de tecnologias implantadas.
Uma nova realidade, um filme de terror ou ficção científica... uma terceira guerra mundial... a guerra biológica que colapsou o mundo e todos foram obrigados a se reconstruir, se reavaliar, descobrir novas formas de viver e abdicar de valores anteriormente importantes, mas que se tornaram totalmente fúteis.
Aquele lugar chamado Sonho, tornou-se um pesadelo aos olhos de muitos. Mas com o tempo, as pessoas passaram a perceber que seria necessário criar asas imaginárias para sobreviver às angústias que todo aquele tormento causava.
E a imaginação e a criatividade passaram a ser veículos especialmente importantes.
O desapego passou a fazer parte das atitudes diárias, pois muita coisa já não era mais necessária.
Os sentimentos passaram a ser questionados, pois percebiam o quanto certas pessoas que estavam longe eram tão importantes e o quanto não dávamos essa importância no dia a dia.
A partir daquele momento, os verdadeiros tesouros, eram o amor, o respeito ao próximo, os sentimentos internos...
Muitas roupas, muitos objetos, muitas atitudes antigas, perderam o sentido.
E assim aquele lugar que se chamava Sonho, mudou o nome para Esperança ...
Esperança de um mundo melhor, esperança de que aquela guerra biológica que sacudiu o mundo, terminasse e se transformasse numa chuva de amor e altruísmo.


Chag pessach sameach!!! Feliz páscoa!!!Nosso povo já passou por muitos desertos, por muitas guerras...Nem todos sabem o que é isso. Mas fato é que estamos todos juntos nessa luta e precisamos de resiliência e consciência para seguirmos em frente e retomarmos nossos caminhos de uma forma mais inteligente com novos valores e mais respeito ao próximo.
Que tudo isso passe logo!!
Saúde e muita força a cada um de vocês!!

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